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Passion no prato: a comida callejera argentina

Passion no prato: a comida callejera argentina
Daniela Atalla
mar. 15 - 2 min de leitura
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A série da Netflix “Street Food”, dividida em episódios da Ásia e da América Latina, tem o mérito de mesclar a história dos pratos típicos com a própria formação cultural, humana, o ethos do país retratado.

Sendo a alimentação de rua, geralmente, aquela mais popular, caseira, barata – e muitas vezes a mais gostosa! – é impossível descrevê-la sem falar da gente por trás dela; dos ingredientes preferidos pelo sabor e pela facilidade de acesso; do próprio costume de comer na rua como algo indissociável da vida urbana e comunitária.

Sabemos que a Argentina, como o Brasil, é apaixonada por futebol, e por isso os ambulantes em volta dos estádios preparam o choripan: nosso “pão francês”, molho chimichurri e linguiça de porco, grelhada.

As empanadas – negócio que passa de pai para filho – são representadas por um tucumano – um pai de família originário do interior – que criou seu próprio tempero.

As fogazzetas – pizzas recheadas, parecidas com a nossa fogazza mas em tamanho família – são preparadas por um cozinheiro há 50 anos no seu posto, apaixonado pelo que faz e incrivelmente habilidoso em sovar, repartir, moldar a massa e recheá-la com 1,5 kg de muçarela, seguido de uma cobertura de cebolas finamente fatiadas.

Ficamos sabendo por ele que a imigração italiana prevaleceu sobre a população indígena original – mandada para a Guerra do Paraguai, por exemplo – e que esse “branqueamento” se refletiu nas especialidades gastronômicas. Los hermanos amam queso e carne, servidos em porções generosas tais como Evita foi com seus descamisados.

A paixão, assim como a panela, se atualiza e abrange novos “atores”: as ferventes tortillas (omeletes espessas e suculentas), são preparadas pela “Pato”, uma mulher lésbica que comanda uma lanchonete no Mercado Central de Buenos Aires com a mesma dedicação com que defende sua parceira, escolhe os ingredientes diariamente e convence sua família a aceitá-la na sua diferença; uma mulher que cozinha tão bem que superou o negócio patriarcal, afastando pai e irmão da grelha e do balcão, mas de um jeito tão carinhoso e competente que sua marca “Las Chicas” atrai chefs renomados de toda a cidade.


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