Nós, brasileiros, temos hábitos higiênicos diferentes do resto do mundo. Desde pequenos aprendemos com os nossos pais que tomar banho é um dever diário. Quando nos deparamos com uma cultura diferente, sentimos um incômodo. Para nós, por exemplo, a França leva a fama de mal cheiro e falta de higiene. De fato, a história mostra que por muito tempo as condições da Europa eram insalubres. Na França a água encanada só chegou a todo o território na década de 1980.
Em 2019 fui para Paris e me hospedei por quatro dias em um hotel chamado Port Royal. As acomodações eram boas e os banheiros, compartilhados. Logo que cheguei, na recepção fui informada que 5 minutos de banho custavam 5 euros. Naquele ano, a cotação do euro era em torno de R$ 4,50. Para manter o controle do tempo do chuveiro eram utilizadas fichas, similares a moedas. Essa informação me gerou estranheza, já que em nossa cultura não costumamos ter esse tipo de limitação. Solicitei em torno de 5 fichas para toda a estadia e notei uma reação de espanto do recepcionista.
Na hora do banho, era necessário inserir a ficha em um compartimento localizado fora do box, que ligava imediatamente o chuveiro. No local, havia até um relógio para acompanhar o tempo. Passados exatos 5 minutos, o chuveiro desligava automaticamente. Foi um desafio tomar um banho com tempo limitado, principalmente para lavar os cabelos.

