Há um tempo viralizou na internet imagens comparando o look fino de Agostinho Carrara, personagem da Grande Família, com looks da luxuosa marca Gucci.


Agostinho nunca foi vangloriado pela composição de looks, pelo contrário, era ridicularizado e fazia parte da construção de seu personagem: o 'típico malandro brasileiro'. Agostinho representava a classe moradora dos subúrbios da cidade grande. Suas relações, vivências e influências eram restritas ao subúrbio, ia à cidade grande para trabalhar. Brega, podemos dizer - era a interpretação com que a classe mais alta julgava o seu "visu": rico na composição de texturas, cores e estampas; 'um exagero' como minha avó dizia. Para o figurinista da série, a explicação é bem simples e tem respaldo nas teorias antropológicas: Eu não acho que nada é brega ou tendência, porque depende da classe ou grupo que você quer atingir ou sobressair", declara.
Ao analisar as imagens de comparação com modelos da marca Gucci me pergunto o que faz um ser brega e outro chic. São os tecidos mais finos? São as cores mais vivas? Existe uma ordenação da desordem nos looks da Gucci? Por qual razão meus olhos aceitam mais essas imagens ao invés das de Agostinho?
Gucci é uma marca de forte posicionamento e expressão única. Difícil de descrever suas influências que misturam elementos dos anos 50, 60, 70, streetwear, hip hop, navy etc. Uma marca com poder, com capital para trazer a sofisticação e o bom gosto em uma combinação estética que nos corpos de Agostinhos Carrara é vista como brega.

